segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cuiabá 2014


Em 1950 o Brasil lotou o Maracanã para ao fim, chorar ante o triste resultado. Ninguém previa. Todos acreditavam nos números. Era algo que todos aguardavam ansiosamente uma sentença que precisava apenas ser cumprida: terminar os noventa minutos e comemorar. No instante seguinte ao desastre o Brasil se erguia disposto a superar o trauma. Chegamos ao tri, ao tetra e ao penta campeonato. Passamos a sonhar com o hexacampeonato justamente naquele palco onde o sonho de 1950 naufragou. A Copa do Mundo se agigantou. Tornou-se um grande evento esportivo e, claro, uma extraordinária oportunidade para negócios e melhoria da qualidade de vida da população. O Brasil buscou a indicação seguidas vezes, sem êxito. Finalmente ganhou o direito de sediar em 2014. Planejada através de distribuição geográfica para implementar o desenvolvimento de setores como o turismo e o próprio esporte bretão, Cuiabá foi escolhida como uma das subsedes. As obras necessárias estão sendo executadas, licitadas para que o evento ocorra com a qualidade exigida pela FIFA. O que me leva a pensar que exista um projeto político para o esporte. Sim. A criação de uma cultura esportiva capaz de proporcionar público, inclusive, as competições locais. Entendo que passa pela reestruturação das associações esportivas jurídica e administrativamente. As associações esportivas para receber qualquer apoio estatal devem apresentar um projeto de formação, relatórios e fiscalização por parte do Poder legislativo. Discordo de qualquer verba ou subvenção que seja para competições apenas, pois motiva a contratação de “medalhões” que pouco ou nada contribuem para a melhoria técnica das equipes locais. Estamos às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e me pergunto, quais os benefícios que esse evento irá causar ao desenvolvimento do futebol em Mato Grosso? O que tem sido feito pelo esporte? Ninguém discorda que é uma oportunidade de negócios, mas, até as empresas com fins claramente lucrativos tem sua finalidade social. Aliás, muito em voga. Isso pressupõe que o esporte e a Copa de 2014 sejam também oportunidades para jovens que sonham com o futebol, no gramado ou nas diversas profissões afins. É preciso que se pense o humano como beneficiário desse “grande negócio”. Não tenho dúvidas que o Estádio será erguido no tempo hábil, às obras de mobilidade apesar de todas as suas contradições, serão viabilizadas, mas, persiste a pergunta e o futebol? Será que vai continuar capenga e viver permanentemente subsidiado pelo Estado? É preciso de um projeto político com urgência. Ademais, gostaria, inclusive, de sugerir o nome para a futura Arena Pantanal de um atleta que tenha honrado o nome de Mato Grosso. Esse pode ser o primeiro passo para a formação de uma cultura de esporte, além de se fazer justiça.

Marco Antonio Veiga – CREF 996-P/MT

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